Com leucemia, ex-Guarani consegue tratamento nos EUA e pode se curar

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Ex-atacante de Guarani e Náutico, Silas Brindeiro segue lutando pela vida. Com leucemia e sem cura possível no Brasil, no começo de agosto ele deu entrevista cheia de emoção ao LANCE!, disse que precisava de R$ 925 mil para se tratar nos Estados Unidos e tocou a internet. Agora, passados quase quatro meses, o centroavante de 30 anos recebeu um presente de Natal antecipado. Após diversos apelos a hospitais norte-americanos, o jogador conseguiu o tratamento que precisava de forma gratuita no estado deMaryland. Ele embarcou para os EUA, juntamente com a esposa, na última terça-feira.

Silas vinha tentando conter sua doença com quimioterapia nohospital Santa Helena, em Brasília (DF). No entanto, a medula do jogador já não dava mais grandes respostas e o tratamento convencional era praticamente ineficaz. Em agosto, o jogador tinha7% de blastos no sangue. Agora, o quadro está em 36% – situações acima de 20% já são consideradas de extrema gravidade. A verba necessária para o centroavante se tratar nos EUA também estava longe de ser obtida. Após pedidos de doações, ele conseguiu a quantia de R$ 230 mil – que apesar de volumosa, era apenas 25% do total necessário. A guerra parecia perdida, mas no fim de agosto o tratamento que pode curar Silas deixou de ficar restrito a só dois hospitais americanos e passou a ser disponibilizado em mais 40. Foi a deixa para ele sair mandando e-mails para diversos destes 40 hospitais. Felizmente, o hospital deMaryland acabou sensibilizado.

– Agora estou vivendo outra atmosfera. Vocêcomeça pensa que está chegando a vitória. O ânimo muda sabendo que farei o tratamento que preciso, oCAR-T cells, sabendo que há uma saída. AFDA (Food and Drug Administration), que é o órgão responsável pela saúde nos Estados Unidos, aprovou em 30 de agosto a ampliação do tratamento para mais 40 hospitais. Foi coisa de Deus. Diante desse fato novo, eu, meu médico e minha prima, que mora nos Estados Unidos, enviamos e-mails para diversos hospitais, pedindo o tratamento com gratuidade. Ohospital de Maryland se interessou pelo meu caso, pelo fato de a doença estar avançada. Há três semanas recebi a notícia de que eles me aceitariam. Viram que meu caso era sério, se sensibilizaram, e vão fazer um estudo clínico em mim, cedendo o tratamento com gratuidade – disse Silas.

O tratamento doCAR-T cells deverá zerar os 36% de células doentes. O processo vai durar entre seis e oito meses. Só depois disso Silas poderá receber uma nova medula.Ele entrou na fila para receber doação em fevereiro de 2015 e, após angustiante espera, conseguiu um doador em julho – quando a quimioterapia já não fazia mais efeito e 7% de suas células já estavam doentes.

– Aprincípio, vou fazer duas semanas de exames e depois receber o tratamento propriamente dito com o CAR-T cells. O hospital disse que em três meses devo ter uma direção sobre o meu tratamento, mas não há uma data fixa para ficar zerado. Ficando, voltarei ao Brasil para fazer o transplante de medula. O doador só está esperando eu ficar zerado para fazer o transplante – detalhou.

Silas também falou sobre os R$ 230 mil que arrecadou. Ele afirmou que ainda utilizará o dinheiro para a sua cura, justificando que o transplante de medula será pago e que o hospital deMaryland deu apenas o tratamento do CAR-T cells, não arcando com passagens, hospedagem e remédios fora do hospital:

– Deixo aqui meu esclarecimento às pessoas que me ajudaram. O valor de R$ 230 mil vai me ajudar muito no andamento do tratamento. Faço questão de revelar esse valor, como satisfação às pessoas que me ajudaram. A quantia será usada para minhas despesas até a cura, para eu me manter nos Estados Unidos, voltar ao Brasil e pagar meu transplante de medula. O tratamento será longo e eu estou sem clube, sem salário – comentou Silas, que mesmo depois do transplante precisará voltar àMaryland para revisões de três em três meses.

Silas recebeu doações de diversos atletas. Fernando Prass mobilizou o elenco do Palmeiras, que conseguiu levantar uma quantia – de valor não divulgado.

– Fernando Prass entrou em contato comigo, pessoal dos meus tempos no Guarani… Eles contribuíram bastante, deram força. Alguns clubes fizeram contato comigo também. O Neto, da Chapecoense, ajudou nas redes sociais, compartilhando o link da matéria de agosto. Depois, até jogadores da Seleção fizeram vídeo pedindo doações. Serei eternamente grato. Agradeço muito a quem contribuiu e tirou um tempinho para compartilhar a matéria. Reforço que o dinheiro será usado para me ajudar na cura – destacou o atacante, confiante de que os próximos meses irão selar o seu triunfo contra a leucemia:

– A próxima entrevista será para anunciar que estou curado.